Sunday, April 22, 2012

Rescaldo do Carnaval

Com o Carnaval a acabar, a cidade morre um pouco, e as pessoas vão-se abaixo. Sente-se mesmo uma certa ligeireza espiritual, que contrasta com a euforia extrema dos dias anteriores.

Mas cá em casa a coisa estava animada.
Um amigo da Marga ficou sem poiso para dormir e pediu-lhe para ficar cá em casa, mas ele vinha com um amigo que nós não conhecíamos. Não é que o moço me entra em casa e não é que ele tinha estudado com a Rita e ficaram os dois feitos parvos a olhar um para o outro, como que a abrir ficheiros dentro da cabeça e tentar cruzar dois mundos diferentes para conseguir encaixar aquela pessoa num ambiente completamente estranho.
Então, com o Álvaro e o Silveirinha cá em casa, o que não faltava era programas animados pós-carnaval. Fomos à Joatinga (a minha praia de eleição aqui no Rio) para mais um dia perfeito de praia, onde o Silveirinha conhecia já meio mundo. Não resistimos e fomos à casa do Giovanni (B&B na floresta da Tijuca: Open Road Studio) onde as coisas acontecem. Foi assim mais uma daquelas noites extraordinárias, onde os astros se alinham (eu não percebo nada de astrologia, mas tenho a certeza que havia qualquer coisa planetária alinhada) e se reúnem um conjunto de acasos que formam uma conjuntura especial.
Fala-se de tudo um pouco - livros, política, comida, bebida, fotografia, ambiente, ciências, helicópteros, cães & gatos, etc - mas a música é sempre o assunto dominante daquela casa. Obviamente que não podia faltar um showzinho musical. É um ambiente muito íntimo e familiar, as pessoas conhecem-se e formam-se boas amizades, e até se fazem conhecimentos profissionais descabidos. Estava lá um amigo de alguém, que nós não conhecíamos, com um cavaquinho, e juntou-se ao Giovanni para tocar com ele. Bem! Uau! Foi muito divertido! Acontece que ele é um músico de São Paulo que viveu nos Estados Unidos a tocar sambas brasileiros traduzidos para Inglês, mas muito bom! Le Andrade deu um show até às tantas da madrugada! Acho que ninguém queria sair dali (mas isso já é particular daquela casa).


Carnaval II

Continuando a saga carnavalesca, e para os posts não se tornarem demasiado grandes, vai mais uma descrição dos dias seguintes...
Ora, os blocos são às centenas, e todos os dias existem mais de 20 blocos espalhados pela cidade. Tivemos de fazer uma selecção dos que queríamos ver, e depois foi só seguir o aplicativo do iphone com os horários dos blocos, descrição, mapa....the real deal! A lista saiu assim com umas semanas de antecedência, não queremos que ninguém seja apanhado desprevenido!

Fomos assistir a um, cujo nome agora não me assiste, mas que começava bem cedo, no Aterro do Flamengo. O calor era insuportável (em Fevereiro estamos no pico do verão) e como podem imaginar, aquilo estava cheio de gente animada para a festa, e a maioria já estava com o depósito atestado, no que diz respeito a cerveja, obviamente... e relembro que ainda eram onze da manhã! O dia ainda estava para começar!! (Escusado será dizer, que, com aquelas temperaturas o álcool bate um pouco mais que o normal).
Enfim, foi uma animação! Tocaram assim um ska meio samba, que deu para dançar muito!
Nós as três, eu a Marga e a Carol (amiga da Marga que vive em SP, mas veio passar o carnaval connosco) fomos vestidas de havaianas: uma ligeira adaptação à fantasia de índias, a mesma saia, biquínis, umas flores et voilá! Fomos muito animadas pela rua fora, onde nos cantaram uma animada música "ha-vai-â-ná! qui sobe qui sobe qui sobe!..." Foi o nosso theme song do dia, juntamente com o "eu quero chu! eu quero cha! eu quero chu-cha-cha-chu-chu-cha!"...
Não quero que me julguem pela futilidade de andar na rambóia durante dias a fio, a saltar de bloco em bloco, a cantar músicas de qualidade duvidosa, e dançar pelas ruas de braços no ar... O Carnaval de Rua do Rio de Janeiro é uma experiência sócio-antropológica sem igual, que não se consegue descrever por palavras, nem por vídeos, nem por nada: tem que ser vivida in loco.

Anyway... Nessa tarde fomos para Ipanema, assistir ao Simpatia é Quase Amor, que foi muuuuuito bom! À beira mar, na orla, o grupo finalmente todo junto, a cantar, dançar, e depois fomos dar um mergulho no mar! Perfeito!
À noite não há blocos, mas há animação nas ruas! Fomos para a Rua Vinicius de Morais onde nos encontrámos com outro grupo de portugueses, e depois fechámos a loja, porque no dia seguinte tínhamos um bloco que prometia ser bom.
Havaianas: Carol, Marga, eu
Na segunda-feira fizemos um café da manhã especial. Mandámos vir pão, queijo, fiambre, ovos, etc, e comemos que nem uns lordes. O Pedro juntou-se a nós, e juntamente com o Gether, a Carol e a Marga, fazíamos uma tribo índia já com alguma categoria (o JP tinha ido para SP tirar um curso).
A Tribo dos índios Tuga-uhga: eu, Gether, Pedro e Carol (a Marga estava a tirar a foto, ehehe)

Fomos assistir a um bloco que toca músicas dos Beatles em samba, são os Sargento Pimenta, no Aterro do Flamengo. Como já  lá tínhamos estado no dia anterior, já sabíamos o que é que nos esperava, então chegámos mais cedo para procurar uma sombra e um sítio porreiro para ficar. Entretanto o grupo separou-se, e acho que só nós é que gostámos do bloco! Ficámos à sombra de umas árvores, com o ónibus onde a banda se encontrava virada precisamente para nós. A bateria, que estava na frente do ónibus, estava meio descoordenada e eles tiveram alguns problemas técnicos que atrasaram bastante o início da festa, e qual foi a solução que eles se lembraram que pudesse melhorar a comunicação musical entre a banda e a bateria? Meter a bateria à frente da banda! Perfeito!! Ficámos ao pé da bateria, de frente para a banda, à sombra, e com cerveja geladinha! Foi muito bom!

Nessa tarde, atravessámos o centro da cidade para ir à Praça XV onde nos encontrámos com um amigo do Pedro, o Lucas, que estava num grupo que leva o carnaval mesmo a sério, e todos os dias têm fantasias diferentes e bem elaboradas! Nesse dia estavam vestidos com camisa branca, gravata, colete estilo italiano, cachimbo na boca, cartolas na cabeça, e umas lustrosas boxers. 12 mamarrachos de cartola fazem um grupo engraçado!

Acabámos a noite nas Escadas da Lapa, um ambiente mais particular, onde parece que todos nos conhecemos só por estar ali a ouvir meia dúzia de gatos pingados a fazer barulhos com o que têm mais à mão de forma a gerar música crua (mesmo crua, como se ainda não tivesse sido cozinhada)

Foi um dia enorme.


Saturday, April 21, 2012

Carnaval I

Ora, eu sei que isto está meio desorganizado em termos temporais, mas é melhor que nada...

O Carnaval dá direito a uns dias de férias, mas como bons cariocas, todos tiram a semana inteira... Ora vamos lá fazer as contas: sexta feira à noite já conta como dia de festa... feriado na terça, logo, na segunda é obviamente ponte.... quarta feira para descanso.... e o resto da semana só porque sim, e já agora, para acabar em grande, o segundo fim-de-semana para aquilo a que se chama "o rescaldo do carnaval" - 10 dias sem dormir - check!

Os Blocos começavam cedo, e queríamos ir ao Bloco de Santa Teresa, que já tinham dito (diz-se sempre muita coisa... e há sempre alguém para dizer coisas que se dizem por aí) que ia ser muito bom. Então o JP - irmão da Rita que veio passar um mês (e meio) com ela e ficou cá em casa - eu e a Marga fomos a um bloco em Ipanema na quinta-feira porque era pertinho de casa e assim ficávamos frescos o suficiente para acordar às 7 da manhã no dia seguinte de forma a conseguirmos ir cedinho para Sta Teresa. Obviamente que a coisa descambou... Foi muito engraçado porque conseguimos ir mesmo ao lado da bateria de músicos, e deu para aprender algumas músicas e ficarmos já a perceber como funcionava o carnaval de rua: existe uma bateria que vai na frente do autocarro (from now on vai passar a ser ónibus ok?) - então esse ónibus tem um animador que repetidamente canta a mesma música, e a bateria tem de estar coordenada com ele. São distribuídos uns leques de papel com as letras das músicas para as pessoas aprenderem e cantarem em uníssono com a banda, e todo este pomposo desfile deambula por ruas devidamente seleccionadas em certos bairros da cidade.

No dia seguinte mascarámo-nos a rigor... vestimos umas saias de palha, pinturas elaboradas à índio, umas penas na cabeça, e allstar (porque havaianas é sinónimo de pisadelas e grande probabilidade de acabar o dia sem nada nos pés). Descobrimos a grande utilidade de uma fantasia sem muita roupa, e adoptámos o biquini como vestimenta oficial do Carnaval 2012!
Bem, com tanta coisa, chegámos meio atrasados a Santa Teresa, e aquilo estava insuportavelmente cheio de gente. Mas foi assim o primeiro contacto com o verdadeiro carnaval carioca... Toda a gente mascarada, ruas cheias, cerveja às 10 da manhã, um calor infernal, os moradores a regarem as pessoas com mangueiras e baldes de água, e música por todos os lados... Ainda éramos um grupo engraçado, duas índias, o nosso chefe índio, umas bubblicious, chicletes e afins.

Foi muito engraçado, mas bloco, nem vê-lo! Desistimos a meio!

Voltámos para a Zona Sul, e fomos para um bloco no Leblon... Apareceu uma velhinha a varrer a rua, que ficou uns bons minutos a varrer os nossos pés, até que me apercebesse que era o Gether!!


Pré - Carnaval

É Carnaval, e posso garantir que ninguém sabe o que é o carnaval senão os brasileiros, senão os cariocas...

A festa começa com o pré-carnaval, com os ensaios dos blocos (levados muito a sério), e outras actividades que se estendem pelo menos um mês antes do dito cujo.
Agora imaginem-se em pleno mês de Janeiro (mentira, era no ÍNICIO do mês, dia 6) e começa já a "Abertura Não Oficial do Carnaval"... quer dizer, esta gente não brinca em serviço! Ainda no rescaldo do Natal e da melhor passagem de ano do mundo, e já começam dois meses de festividades carnavalescas.
Fomos para a Praça XV, e andámos no meio de ruas apertadas, junto às bandas dos Blocos que não foram seleccionados para o Carnaval. Foi muito engraçado porque estávamos quase dentro da banda, onde se ia juntando qualquer mafarreco que tivesse um instrumento na mão! Mas dava para apreciar o engenho dos "maestros" que com um apito na boca e alguns gestos básicos ia organizando aquela desorganização musical! Apercebi-me quão gringa sou, quando toda a gente à minha volta começa a cantar músicas do início ao fim, e eu: zero! Tudo de braços no ar, a inspirar aquela paixão contagiante pela festa só por si - refiro-me obviamente ao conceito de "festa", e não àquela festa especifica.

No final desse dia, acabámos debaixo do viaduto, a ouvir um bloco que tocava músicas de rock (e outros), como Beatles, Elvis, Nirvana, e, mais surpreendente, a música do Rei Leão: "in the jungle, the mighty jungle, the lion sleeps tonight...." (sing along!) Foi surreal fazer parte de um maranhal de gente debaixo de um viaduto (a acústica era fabulosa) a rodear meia dúzia de músicos com os mais variados instrumentos, tudo aos saltos e a gritar "Áaaauuuuuuuuuuuuuuu-ú-u...ahu-i-a-mân-máuêêê". Nice!

Favela de Santa Marta

Ora voltei voltei!
(só porque está a chover e não há nada para fazer...)

Hoje era dia de ir à praia da Joatinga, mas o tempo não ajudou, e decidimos ficar aqui mais perto de casa.
Aproveitámos a volta turística de uns amigos da Ana, e fomos com eles ver as Favelas do Pavão Pavãozinho e Cantagalo, e a de Santa Marta.

Agora imaginem 8 mulheres branquelas com ar muito pouco carioca a entrar pelo morro adentro... enfim.
Fomos pelo elevador, e entrámos numa pracinha, e imaginem que sorte, havia um showzinho de uma banda Fanfarrada, que estavam a gravar um clip, e fizeram uma deambulação muito musical pelas ruas de Santa Marta, e tocaram umas músicas animadas com direito a coreografia e tudo!
A praça onde estávamos era a que tem a estátua do Michael Jackson, quando ele foi lá gravar o video clip do "They Don't Care About Us", e foi mais uma daquelas situações mesmo à Rio de Janeiro, em que as coisas mais surpreendentes simplesmente acontecem! Não esperávamos chegar lá acima e assistir a uma fanfarra musical, acompanhadas de uma cerveja fresquinha, com aquela vista, as crianças a dançar... fantástico!
Apesar de estar ligeiramente nublado ainda deu para apreciar a vista!
Curiosidade: enquanto estávamos lá em cima à espera do elevador (que é uma espécie de minicarruagemcomformadeteleféricoinclinadosobrecarris) reparámos nuns meninos que se aproximavam com dois livros escolares na mão. A Marga, na sua inocência, perguntou o que eles iam fazer (talvez com alguma esperança nos olhos, a pensar que iam estudar, que bonitinhos), e nesse instante, um deles abre um dos livros e dramaticamente rasga a primeira página enquanto responde "gaivotas!" A Margarida gritou um "naaaaaaaaaaoooooooooo!"com uma cara semelhante à reacção do Luke Skywalker quando o Darth Vader lhe faz a importante comunicação de paternidade. Os miúdos começaram a atirar gaivotas (aviões de papel) e então aí reparámos na absurda quantidade dessas gaivotas que povoavam a encosta junto ao elevador. Eles são realmente especialistas na coisa. Ficámos a admirar uma que foi tão longe que quase chegava a Copacabana! Com direito a aplausos e tudo!

Obviamente que depois apanhámos uma molha descomunal, enquanto fomos a correr para o miradouro, de braços abertos à chuva, mesmo à filme!! Claro que o miradouro ficava longe, estava a ficar escuro e o elevador à nossa espera.... decidimos voltar para trás, molhadas até aos ossos, mas com um daqueles sorrisos na cara...

(by the way... viciei-me no Instagram, sorry!)



Fanfarrada

Marga e Mariana na companhia do Michael Jackson

O pequeno Alexandre pendurado no MJ

Ana e eu

Friday, February 03, 2012

Just Aramis

"Now, I'm ridiculously attached to my head, seeing that it seems to go rather well with my shoulders. I'll kill you, rest assured, but kill you quite calmly, in a closed and covered place, where you won't be able to boast of your death to anyone"

Aramis